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Indiciado, Raphael Souza faz ironia à força-tarefa

rafael-souza-preso-pO filho do ex-deputado estadual Wallace Souza, Raphael Souza, foi ouvido em termo de declaração ontem à tarde por integrantes da força-tarefa. O depoimento durou, aproximadamente, seis horas e encerrou com o indiciamento dele nos inquéritos dos homicídios de Luiz Macedo de Souza, o "Luizão" ou "Pulga", e do garçom Davis Oliveira Alencar, o ambos executados a tiros no ano passado.

Raphael chegou à sede da Secretaria Executiva de Inteligência por volta das 15h, no xadrez de uma viatura do Sistema Penitenciário, escoltada por duas viaturas do Batalhão de Choque da Polícia Militar. Ele foi ouvido pelas delegadas Acácia Dantas, Cristina Portugal e pela promotora de Justiça Tereza Cristina Coelho, diante do advogado dele, Paulo Braga.

De acordo com as delegadas e a promotora, Raphael não respondeu a nenhuma das perguntas que lhe foram feitas, justificando que só falará em juízo. Durante o depoimento "foi frio e arrogante e, em alguma vezes, chegou a ser irônico". "Agora eu sou ladrão, traficante e homicida", disse o preso, em tom irônico.

Segundo as integrantes da força-tarefa, Raphael foi indiciado como o mandante dos crimes de "Pulga" e de Davis. Segundo as denúncias que levaram ao seu indiciamento, Raphael teria mandado executar "Luiz Pulga" porque este se negou a assassinar a juíza Jaiza Maria Pinto Fraxe e ainda ameaçou denunciar o grupo comandado por Wallace e Raphael.

Davis foi assassinado na praça do Congresso, no Centro. O ex-policial militar e ex-segurança de Wallace, Moacir Jorge da Costa, o "Môa", disse, em declarações à força-tarefa, que estava em um carro com Raphael e um pistoleiro identificado como "Lourinho" no dia do crime. Ele afirma que "Lourinho" matou Davis e que o carro usado era alugado. O motivo do assassinato ainda é desconhecido pela polícia.

No final do depoimento, Raphael, de cabeça erguida, também não respondeu às perguntas dos repórteres. Apenas disse que não iria falar, mas afirmou ser inocente e que vai provar isso. Da secretaria, ele foi levado de volta para ao Compaj, onde está preso desde a semana passada, após ser condenado pela Justiça a 11 anos de reclusão.

Fonte: A Crítica