MANAUS - O número de famílias envolvidas em conflitos pela água no Amazonas saltou de 85, em 2009, para 150 em 2010. Dados da Comissão Nacional da Pastoral da Terra (CPT) apontam um crescimento de 76,5% de pessoas envolvidas na disputa. Em todo o País, 22 conflitos por conta da água foram registrados no ano passado, contra 29 ocorridos em 2010.Segundo a Coordenação da Pastoral da Terra no Estado, entidade vinculada a Igreja Católica, ao contrário de outros estados onde os conflitos ocorrem na maioria dos casos por construção de barragens, no Amazonas, a situação está relacionada a preservação de lagos e rios.
De acordo com a coordenada da CPT no Amazonas, Auriedia Marques da Costa, os conflitos ocorrem na região do rio Jauaperi, na divisa do Amazonas com Roraima. A comunidade ribeirinha que mora no local há mais de 20 anos defende a preservação dos mananciais de água doce contra a pesca predatória e a degradação do meio ambiente causada pelo turismo sem controle.
Segundo a coordenadora, os ribeirinhos reinvindicam há dez anos, junto a Presidência da República, a criação de uma Reserva Extrativista (Resex) na área do rio Jauaperi. A polêmica causa desentendimentos entre ribeirinhos e donos de embarcações pesqueiras. Para Auriedia, o impasse tem causado também conflitos entre os próprios ribeirinhos.
"O conflito ocorre porque os ribeirinhos tentam impedir que barcos pesqueiros invadam a área e extraiam pescado sem controle dos rios. Os ribeirinhos também dependem dos rios para sobreviver. Outro problema apontado por eles é a degração da meio ambiente. Turistas visitam o local, mas deixam para trás todo lixo produzido nas viagens", disse. A criação da reserva depende apenas da assinatura de um decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e não teria apoio dos Estados do Amazonas e Roraima.
Ameaças e risco de morte
Ao tentar impedir a ação de pescadores e turistas, segundo Auriedia, a comunidade local sofre ameaças, inclusive de morte. Ela afirmou que, há um ano, a casa de um dos ribeirinhos foi incendiada em represália porque ele tentou se opor contra a pesca predatória na região.
A coordenadora explica que se a área fosse transformada em reserva seria administrada por associações dos próprios ribeirinhos em parceria com o Instituto Chico Mendes. "Assim toda extração dos recursos naturais da área seria feita apenas de forma sustentavel", disse.
Conflitos de Terra
Dados da CPT nacional mostram que de 2009 a 2010 foram registrados três conflitos de terras em todo o Estado. Já a coordenação estadual da CPT, revela o registro de 25 conflitos de terras em acompanhamento ao mesmo período.
Segundo a coordenadora, a maioria dos conflitos no Amazonas são causados por disputa de áreas privadas. Ela aponta que um dos principais conflitos no Estado acontece no município de Barreirinha (a 328 quilômetros de Manaus).
Os ribeirinhos que moram no local há mais de 20 anos teriam sido surpreendidos por uma empresa que se apresenta como proprietária da área. Segundo a Auriedia, os moradores estão sendo expulsos do local. A CPT acompanha o caso.
Fonte: Portal Amazônia
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