História de Tefé
Nos primórdios de sua história, Tefé era habitada basicamente por índios, com destaque para as tribos dos Tupebas ou Tapibas, da qual se originaria o nome Tefé. Esses povos viviam em liberdade e em harmonia com a natureza, mas, esta tranqüilidade não duraria para sempre.
As expedições de Cristóvão Colombo em 1492 e Pedro Alvarez Cabral em 1500, foram fatores de mudança total no cotidiano dos povos indígenas, e marcou a chegada dos espanhóis e portugueses no continente, e na região que seria o Amazonas.
O espanhol Francisco Orellana veio para nossa Terra para desbravar o Amazonas e iniciou sua expedição em 1539, foi quando atacado por índias guerreiras e que lembravam as famosas amazonas da mitologia grega batizou nosso rio como Amazonas. Alguns anos mais tarde Pedro Ursua faria o mesmo trajeto.
Estas expedições marcaram um período de conflito entre portugueses e espanhóis, pois, disputavam o domínio das terras que haviam conquistado. Estes embates só viriam a cessar temporariamente com a assinatura do Tratado de Tordesilhas, este tratado dividia o Brasil ao meio, uma parte de Portugal e outra da Espanha. O Amazonas e Tefé fariam parte do lado espanhol.
Padre Samuel Fritz
A serviço da Espanha foi enviado o Padre Samuel Fritz para o Amazonas, aqui ele fundou as primeiras missões instituídas pelos Jesuítas de Evangelização, estes também prestavam serviços sociais à comunidade indígena.
Os portugueses vindos do Grão-Pará, cobiçando o Amazonas e desrespeitando o Tratado de Tordesilhas, subiram o Rio Solimões a fim de conquistar e tomar as terras dos espanhóis, chegando aqui se travou uma violenta batalha com os espanhóis.
Em 1708 o governador do Grão-Pará enviou tropas sob o comando do Capitão Correia de Oliveira para expulsar os espanhóis.
O Padre Sana, obedecendo a ordens portuguesas ordenou que Fritz e sua gente saíssem, caso contrário enfrentariam a guerra, Fritz se retirou.
Fritz foi até o Peru buscar ajuda para combater os portugueses, nestas lutas morreram muitos índios que lutavam ao lado dos portugueses, e novamente os espanhóis voltavam a tomar conta das terras.
Em 1709 houve novos confrontos entre portugueses e espanhóis, e os espanhóis sucumbem novamente, o que leva os índios a uma fuga em massa para o interior das matas e para a cabeceira do Rio Tefé.
Frei André da Costa
Nesta mesma época chega Frei André da Costa para tomar contas das missões da Ilha dos Veados e Parauari. Em 1718, Frei André tentando evitar novos ataques espanhóis, subiu o Rio Tefé, onde encontrou um lago e fixou-se a margem direita com seus peregrinos.
Alguns anos depois foi assinado o Tratado de Madrid pelos reis de Espanha e Portugal, este tratado visava dar fim às lutas entre os dois países pela posse das terras. Mesmo assim Tefé ainda causava discussão sobre os limites das terras de Portugal e Espanha.
Em 1709, Portugal elevou Tefé a categoria de vila, sendo dado o nome de Vila de Ega para essa região. Vila de Ega fazia parte da Capitania de São José do Rio Negro.
A discussão sobre os limites das terras dos espanhóis continuava, até que estes enviaram uma expedição demarcadora comandada por D. Francisco de Requena que ocupou todo o Solimões até a Vila de Ega. Até que em 1787, o português Manoel Lobo d’Almada assume a capitania de São José do Rio Negro e expulsa os espanhóis.
Em 1833, por ocasião da divisão territorial, o governo da província do Pará obtém o controle de Ega, e ignora a denominação Vila de Ega e restitui o nome de Tefé.
A Cabanagem
Dois anos depois se iniciou a Guerra da Cabanagem, já inflamada pelo clamor do povo amazonense por ter um governo próprio sem o controle do Pará.
Em 05 de Setembro de 1850, o Amazonas foi elevado à categoria de província e libertou-se do domínio do Pará.
Com a criação da Comarca do Solimões em 1853, que compreendia as Vilas de Fonte Boa, São Paulo de Olivença e Benjamin Constant, Tefé foi escolhida para ser a sede da comarca e seu primeiro juiz foi o Bacharel Felix Gomes do Rego.
Vila de Ega foi elevada à categoria de cidade em 15 de Junho de 1855, pela resolução nº. 44 desta mesma data, ficando estabelecido o nome que perdura até hoje o de Tefé, que foi administrada por superintendentes até 1921 quando passou a ter prefeitos.
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