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Passos garante: Amazonas ainda é prioridade para o Ministério dos Transportes

ministro_transportes1MANAUS - Quando ainda era ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento concedeu entrevista ao Portal Amazônia, em que declarou que as obras de restauração da BR-319 estavam na lista de prioridades da pasta em sua gestão. Meses depois, o senador pelo Partido da República (PR) deixou o cargo, apontado como o centro de um escândalo de denúncias de corrupção e enriquecimento ilícito, passando então a chefia do Ministério para Paulo Sérgio Passos. Qual o impacto dessa troca nos já tão lentos projetos de infraestrutura do Estado? Quase 60 dias após a posse, o novo ministro responde.

 

Passos afirmou, por meio da Assessoria do Ministério, que mantém como prioridades dos Transportes as obras BR-319, BR-174 (Manaus-Boa Vista) e BR-230 (Transamazônica). Segundo o ministro, nada muda quanto a essas obras. "Todas possuem recursos assegurados pelo PAC e devem ser concluídas dentro dos cronogramas previstos", afirma. Ou seja, está reiterada a previsão de entrega das revitalizações da malha rodoviária até 2014.

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), encarregado pelas reformas, explicou que as obras serão realizadas em etapas. De acordo com o órgão, quatro trechos da BR-319 (Manaus-Boa Vista) já têm empresas responsáveis pelas construções. Os contratos são lotes licenciados ambientalmente para a execução das obras. Apenas o trecho central, que possui aproximadamente 400 quilômetros, ainda depende da autorização e licitação. Ao todo, a estrada deve custar mais de R$ 1 bilhão.

Em junho deste ano, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) embargou as obras da BR-319 por considerar a reabertura nociva ao meio ambiente. Prejuízos como desmatamento em grande escala estavam entre os argumentos do projeto "Cenários para a Amazônia: Clima, Biodiversidade e Uso da Terra", contrário ao canteiro. Apesar do estudo, o Ministério garante: as licitações para os trabalhos devem ser abertas no início de 2012, logo após conclusão da coleta de fauna e flora. O serviço está em andamento e é executado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Com a licença garantida, a estimativa é começar as obras já no verão do próximo ano, com conclusão prevista para dezembro de 2013.

Outras rodovias

O Ministério dos Transporte também confirmou atenção especial para a rodovia BR-230, dentro do Amazonas. O Exército Brasileiro é o responsável pelo estudo de viabilidade técnica, econômica e ambiental da pavimentação da estrada, orçada em R$ 1,1 bilhão. A conclusão total (no Estado) está prevista para dezembro de 2016, incluindo a entrega de uma ponte sobre o rio Madeira, no município de Humaitá, que terá 1,2 quilômetro de extensão. O projeto contempla também a substituição de 44 pontes de madeira por outras de concreto ao longo da estrada.

Outra rodovia confirmada como prioridade para a pasta é a BR-317, que possui 526,7 quilômetros de extensão apenas no Amazonas. A estrada, que deveria iniciar na BR-230 e ir até a divisa com o Acre, está implantada apenas no segmento compreendido entre Boca do Acre e o Estado vizinho - com extensão de 110,7 quilômetros. As obras de pavimentação das áreas já entregues e de construção do restante estão, de acordo com o Ministério, em execução por meio de convênios do Dnit com a Secretaria Estadual de Infraestrutura (Seinf).

Quanto à BR-174, interditada recentemente pelo Sindicato dos Transportadores Autônomos de Carga do Amazonas (Sindccaceam) devido ao péssimo estado de conservação da rodovia, o ministro confirmou a conclusão dos trabalhos de revitalização até 2012. Segundo a pasta, o Dnit, juntamente à Secretaria de Infraestrutura de Roraima, já retornaram às obras, divididas em cinco lotes. No Amazonas, a entrega de dois trechos da estrada, prevista ainda para este ano, custarão R$ 207 milhões.

Logística

Dados de estudo encomendado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontam que a região amazônica carecem de pelo menos 71 obras de infraestrutura logística. Segundo as Federações das Indústrias de nove estados, entre eles o Amazonas, seriam necessários R$ 14 bilhões para otimizar a malha viária como estratégica de fomento à competitividade o segmento industrial. O montante de investimento seria reembolsado, de acordo com a entidade, em menos de quatro anos com a economia de R$ 3,8 bilhões anuais obtida pelas companhias